A partir de segunda-feira (27), o Cine Teatro Municipal Valéria Luercy, em Jaguariaíva, recebe a exposição “Nossa Luta: A perseguição aos negros durante o Holocausto”, produzida pelo Museu do Holocausto de Curitiba. A mostra fica em cartaz até 21 de agosto e tem entrada gratuita.

Numa realização do Museu do Holocausto de Curitiba, em parceria com a Prefeitura de Jaguariaíva e a Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer de Jaguariaíva (SEMEC), com 23 painéis, a exposição traça um panorama histórico da discriminação nazista contra os afro-alemães, reunindo biografias de pessoas perseguidas e objetos originais da época.
A narrativa percorre a crescente privação de direitos da população negra desde o período colonial alemão, passando pela República de Weimar, até a consolidação do regime nazista, época em que ao menos 25 mil pessoas negras viviam na Alemanha. Embora não tenham sido alvo de extermínio sistemático como judeus e ciganos, os afro-alemães enfrentaram intensa marginalização, isolamento social e, em muitos casos, foram assassinados. Não existem números oficiais sobre as vítimas negras do Holocausto e os sobreviventes nunca foram indenizados.

Para o coordenador-geral do Museu do Holocausto de Curitiba, Carlos Reiss, o projeto busca aproximar o público do debate sobre ódio e racismo também no Brasil atual. “O ineditismo desse material está na forma como ele conecta a perseguição nazista à discussão contemporânea sobre direitos humanos e consciência negra. Pouca gente sabe que também havia negros na Alemanha nazista, sendo perseguidos, esterilizados à força, presos. Queremos que quem visite a exposição saia enxergando que esse racismo não é distante, ele conversa diretamente com o que vivemos ainda aqui no Brasil”, afirma.
Uma das trajetórias narradas na exposição é a de Johnny Voste, nascido no Congo quando o país ainda era colônia belga. Ele lutou na resistência contra os nazistas e, em 1942, foi preso e enviado ao campo de concentração de Dachau, onde era o único prisioneiro negro. Ali, Johnny distribuía vitaminas entre os detentos, o que ajudou a salvar milhares de pessoas desnutridas. Sobreviveu, foi liberado e reconstruiu a vida na Bélgica, onde morreu em 1993.
A mostra nasceu de um material educativo homônimo lançado pelo Museu do Holocausto de Curitiba em 2017 e, desde então, já passou por cidades como Curitiba, Caxias do Sul, Porto Alegre, Balneário Camboriú, Florianópolis, Rio de Janeiro e Brasília. “É uma exposição que não para de ganhar novos públicos. Cada cidade por onde passamos reforça o quanto essas histórias ainda precisam ser contadas. E é muito bonito ver que elas não ficam guardadas, que seguem circulando”, destaca Francisco Mallmann, coordenador do Departamento de Gestão Cultural da instituição.
Sobre o Museu do Holocausto de Curitiba
O Museu do Holocausto de Curitiba une os eixos de educação, memória e pesquisa com uma proposta museológica permanente para o trabalho sobre a Shoá. Regularmente, promove seminários e debates, assim como desenvolve materiais pedagógicos que buscam promover uma discussão abrangente sobre o preconceito e a violência ao longo dos séculos XX e XXI.
A instituição tem mais de dez exposições temporárias e itinerantes. Atualmente, quatro delas estão disponíveis para circulação. Para verificar sobre os empréstimos das exposições, é preciso entrar em contato pelo e-mail [email protected].
Serviço
Exposição “Nossa Luta: a perseguição aos negros durante o Holocausto”
Data: 27 de julho a 21 de agosto
Local: hall de entrada do Cine Teatro Municipal Valéria Luercy | Rua Salomão Felix da Silva, s/n,
Horário: segunda a sexta-feira, das 9h às 11h e das 14h às 17h. Sábado e domingo, das 14h às 15h e das 18h às 19h.
Visitas guiadas: escolas da rede municipal de Jaguariaíva terão um cronograma com atendimento para as turmas de 5º ano.
Dúvidas e informações: entrar em contato com o Departamento de Cultura pelo telefone (43) 3535-9370.

